A cada ano, as mulheres conquistam novos espaços na sociedade e caminham rumo ao protagonismo em diversos mercados. O dia 26 de agosto, é um marco da luta das mulheres por empoderamento e paridade entre gêneros. E no empreendedorismo não é diferente. No sudeste do Pará, o Programa Territórios Sustentáveis reconhece e valoriza a importância do trabalho das 216 produtoras inscritas.


A 30 quilômetros de São Félix do Xingu, na colônia Maguari, a agricultora Darlene Pereira de Souza, de 30 anos, decidiu começar a trabalhar por incentivo e inspiração da sogra. Juntas encontraram na produção de polpas de frutas uma forma de conseguir ter uma independência financeira. “A melhor coisa é a gente ser independente, é ter o nosso próprio dinheiro, conseguir comprar nossas coisas. Mulher é assim, a gente quer ter tudo”, disse Darlene.

Nesta quinta-feira (26), as atividades da agenda do TS na região da PA-279 tiveram continuidade com o curso “Empoderamento feminino: Desenvolvendo as características do comportamento empreendedor”, uma parceria com o Sebrae e o Imaflora. A ação foi destinada para a associação de mulheres produtoras de polpa de frutas de São Félix do Xingu. O objetivo é a melhoria na gestão das propriedades das beneficiárias, formação de lideranças, empoderamento e incremento da autoestima da mulheres no campo, além do incentivo ao empreendedorismo rural e ao associativismo e cooperativismo.


“Esse curso é muito bom para nós mulheres da associação, um grande aprendizado para a gente. Nós estamos aprendendo muita coisa sobre os direitos das mulheres. Desde quando formamos a nossa associação a maioria dos integrantes são mulheres e somos nós que estamos a frente de tudo. O Territórios Sustentáveis é um grande incentivo, esse projeto vai alavancar muito a agricultura familiar. O mais importante é que vamos poder colocar mais pessoas no nosso bloco”, ressaltou Maria Josefa Machado, presidente da associação.

O feminismo ampara este caminho a ser percorrido e ganha força no campo. No entanto, mesmo com a popularização do debate, ainda existem problemas que devem ser enfrentados, tais como a pouca representatividade, a violência e as desigualdades no mercado de trabalho.


“Cerca de 47,5% da população rural é feminina, então é de fundamental importância que nós possamos capacitar essas mulheres para construir esse desenvolvimento rural sustentável. O nosso objetivo é expandir para outros grupos, para que as mulheres da zona rural possam se empoderar também através do empreendedorismo e da administração de propriedades”, reforçou a Ana Carla Barros, técnica da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).

A força do empreendedorismo feminino se destaca pela conciliação da jornada de trabalho com as tarefas domésticas. “ Com o tempo nós começamos a perceber que as mulheres não tinham muito claro o papel da mulher na propriedade, sociedade e sobretudo na tomada de decisão, então hoje trabalhamos muito com essa questão do empoderamento, da participação feminina. Uma das coisas que a gente tem trabalhado muito é o benefício da mulher, através de capacitações, de apoios de insumos, então essa parceria com o Territórios Sustentáveis tem sido muito boa, primeiro porque elas trabalham com polpas de frutas, então a gente precisa incentivar essa questão da produção sustentável”, afirmou Selma de Oliveira, coordenadora de projetos do Imaflor em São Félix do Xingu.

O Programa Territórios Sustentáveis entregou através do Ideflor-Bio um viveiro de mudas para atender a associação das produtoras da região. A parceria com o Sebrae soma as ações do empreendedorismo rural focando no papel da mulher, na autoestima e nos benefícios. “Independente de onde a mulher esteja, qual a sua faixa etária ou grau de instrução, para nós é importante estar nesse processo de empoderar a mulher, mostrar que ela é capaz de ultrapassar barreiras, ser autossuficiente, de vender seus produtos e ganhar seu dinheiro, subsidiando suas famílias. O Sebrae, em parceria com a Semas, ultrapassa fronteiras para promover capacitações por todo Pará”, ressaltou Andreia Alves, Analística Técnica do Sebrae.

Por Bruna Brabo (SEMAS)/ Fotos/ Bruno Cecim/ Agência Pará. 

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